O que é?

Saudades da benzina. Minha menina. O filho pródigo a casa torna. sou eu mais uma vez. Até cansar de novo. Enquanto isso, cenas do próximo capítulo...

Os Outros


Pelo Buraco Negro
Clarah Averbuck
Carlos Jazzmo
Viciado Carioca
Alexandre Mentiras
Cinefilia
Poeta Sórdido
Overmundo

Será que ainda vale alguma coisa?

8.31.2006



Naquele tarde vazia, que o telefone não tocou, que eu apaguei todas as luzes e sentei ao lado da geladeira. Matei as últimas cervejas e não fui mais feliz por isso.

Cansei, das cervejas. Encharquei. Só porque você me faz querer ser uma pessoa melhor.

::resmungos::

8.30.2006

Conversas Mulherescas


essas tardes vagabundas tem rendido sempre momentos que valem a pena de serem vividos. Assim como a tarde de ontem quando eu e dona mamãe sentadas em volta do baú de fotos discorríamos sobre o que então era o amor. Ela dizia não saber que os então 10 meses, que ela tinha passado com o então ex namorado andando nas nuvens, diziam se tratar de amor. Amor que fez ela chorar depois de casada, amor que faz ela guardar o colar de trinta anos atrás, amor que faz ela saber que a vida não é só vivida de acordo com a razão, amor que faz ela querer saber de mínimos resquicios dele na cidade distante. Amor é assim, só um na vida.

Foi assim uma tarde gostosa, dessas que a gente não tem todos os dias, e por isso mesmo valem tanto a pena. Piegas. Sim, bastante. Mas fazer o que se eu tenho uma mãe que também acredita no amor.

***

Eu estava trabalhando. Nas minhas redações repetitivas, aluninhos tentando discorrer sobre "a liberdade humana", patati patatá. Um horror, os mesmos erros, as mesmas coisas escritas, os mesmos equívocos. Não estava com ânimo. Nenhum. Uma msg no celular, quase que uma luz no fim do túnel:

-bora tomar uma cerveja básica?

Não resisti. Cai de baixo do chuveiro e fui encontrar a então amiga, que aqui terá o nome preservado, já que conversas mulherescas são um tanto comprometedoras. Eu já sou deveras comprometida, entonces não muda muito minha situação deflorada.

Depois de chopinhos e trivialidades nada comprometedoras, como dia-a-dia, trabalho, namoricos, dores de cotovelo e afins, fomos cair no "páre de tomar a pílula". Salve salve Odair José, que bem antes já manjava o que muito marmanjo não é capaz de farejar: o diabo do remédio corta a libido. Isso mesmo, deixa a mulher broxa. Remedinho destruidor de lares, e o querido do titio Odair já sacava a parada, não tinha nada de moral cristã martelando não, era tesão, sedução, mulher gozando. Querido Odair, nós te amamos.

Entre uma risada e outra, nós duas confirmávamos a tese da "pílula destruidora de lares":

cê.ah.cê.ah: é uma merda pílula, além de cortar a libido, a lubrificação inexiste. é um inferno aquilo...
id.suprimido: porra falta tesão até pro beijo...
cê.ah.cê.ah: lógico (!!) é tudo hormônio, você não produz mais hormônio, corta o barato de ser mulher e sentir tesão...
id.suprimido: o foda é achar que tá grávida toda semana...

é. realmente esse é o pior problema de todos. Esse não é um blogue politicamente correto, e nós com namorados fixos (pelo menos há um tempo atrás eu tinha, agora simplesmente não faço mais sexo...ainda me resta um pingo de dignidade, sexo com a pessoa errada é furada na certa. não obrigada.) não fazemos sexo com camisinha. Sim eu sei de tudo, não precisa falar, mas ambos são limpinhos, não tem bizarrices na pichilinha nem no dito cujo então pra quê o saco plástico? Aquilo lá tira o cheiro do sexo, a pausa pra colocação é broxante, além de outros por menores que não serão ditos aqui.

acho que eu tomei pílula por uns cinco anos. Nunca soube muito bem o que era tesão. Sem ela minha vida mudou. E não quero a maldita de volta. Gosto muito dos meus hormônios, principalmente porque eles não são traiçoeiros. Eles só funcionam com a pessoa certa.




::resmungos::

8.28.2006

Das drogas e do amor



Sabe, um dia minha mãe descobriu que eu andava me drogando. Logo quando eu tinha resolvido que não ia usar mais o volátil maldito, logo depois daquela bad trip que me fez colocar até a tripa do dedão do pé pra fora. Eu menti um monte, eu chorei um monte, eu me senti o pior bixinho vivo sob a terra. Eu não ia mais me drogar. Seguiram-se 4 meses de clausura, estudando pra minha primeira recuperação no colégio, chorando baixinho todos os dias no quarto, e vendo o Supla na tevê todos os dias antes de dormir. Tá vendo o que dá se drogar... você passa a gostar do Supla, eu fiquei sequelada, e continuo gostando dele.

Mas depois disso eu não me droguei mais, pelo menos não assim consciente, indo atrás de droguinhas baratas e viagens estranhas. Usei sim umas drogas, aquelas de verdade, colocadas em fileira e cheiradas até o talo. Usei e depois não usei mais. E pronto. Mas minha mãe demorou um tempão pra confiar em mim de novo. Passaram-se os meses, os dias, os abraços de manhã, ou o beijo antes de dormir. Era tudo diferente, ela não confiava em mim, e toda vez que eu saia ela desconfiava fazia um interrogatório. E ainda pequena eu aprendi a nunca, mas nunca mesmo mentir, e caso eu mentisse ela sacava na hora só de olhar bem no fundinho dos meus olhos.

Assim foi. Meus dias se dedicaram a recuperar a confiança daquela que é o amor da minha vida. Mamãe. Ela sempre foi minha melhor amiga, confidente e daquelas de tomar cerveja e comer pipoca na frente da tevê. Pronto, depois de um ano, depois de mostrar que eu tinha errado sim, mas mostrado que finalmente eu sabia a diferença entre o certo e o errado ela voltou a me receber no seu colo e me dar carinhos como antigamente. Foi difícil, eu chorei, doeu, me senti a banda podre do mundo, vi a merda da minha vidinha de adolescente besta e inconseqüente, mas eu mudei e provei o meu amor pra ela, mudando a forma de viver, eu queria ser uma pessoa melhor. Dessa vez eu consegui.

***

Eu cresci mais um pouco, sai do colo da minha mãe, e arranjei um grande amor. Na verdade mesmo, foi o amor que me laçou, assim pelo braço, e eu só me deixei levar. Dessa vez eu acertei me deixando levar. Mas eu comecei a errar, comecei a me drogar mais uma vez, comecei a me drogar conhecendo novas pessoas e esquecendo o amor-perfeito que eu tinha em casa, comecei a dar lugar à vaidade, a cocaína corroendo minhas narinas e eu esquecendo quem de verdade eu era, esquecendo minha vida, esquecendo o que de fato existia dentro de mim.

Aí o amor-perfeito murchou e se foi. Eu percebi que tudo estava errado, logo eu que pensava já saber a diferença entre certo e errado... Fiquei louca, me debatendo, sofrendo com a falta da droga, chorando, cortando ao meio meu coração. Até que o meu pequenino coração torto foi parar fora de mim num vidro cheio de formol. Agora ele vive longe do meu peito, eu estou esperando o dia que coloquem ele no lugar de novo, e isso só pode ser feito por uma única pessoa. Caso contrário eu vou continuar viva sim. Mas sem ele no meu peito.

Agora eu vivo numa clínica de recuperação. Tentando provar meu amor ao homem que eu amo. Quem sabe um dia ele não me fala que a dor diminuiu. Eu finalmente depois de várias bad trips decidi que não quero mais a maldita droga que bate no ego. Traiçoeira vaidade. Eu quero ser eu, e sem ele isso é impossível. Eu mais uma vez aprendi o certo e o errado, mas agora é a época de desintoxicar. E eu vou continuar esperando.
::resmungos::

8.27.2006

Eu aqui mais uma vez. Sabe como é né, nós sem endereço próprio sempre voltamos pro boteco que nos acolhe minimamente. Eu ando com saudades, que não é felicidade abafada, é saudades daquilo que passou e não volta, são surtos de lembranças, boas lembranças. Essas saudades machucam, mas eu não consigo deixar de acordar depois das poucas horas de sono forçado e não pensar em você.

Ando com uma dor nos ombros que não passa nunca. Continuo bebendo, um pouquinho todos os dias. E isso não é legal, e eu não fico mais bêbada. Eu fico com cara de bunda e muda. Pálpebras pesando como se tivesse fumado pencas e pencas da erva maldita. Sono, muito sono, mas não consigo dormir, fico rolando pra lá e pra cá, lembranças me machucando. Me trazendo essa saudade doída.

Ando sentindo seu cheiro quando o vento bate no meu rosto, ando vendo seu rosto na cara das pessoas, e busco fugir, mas é pior porque na seqüência me dá um vazio e me faz pensar que merda ando fazendo da minha vida. Não quero mais ninguém, sem você eu prefiro ficar sozinha, dura e seca. Não quero mais te ver com essas Barbies ensaiadas e sem alma. Não quero mais essa dor, mas ela não é plausível de explicação, nem passa com o comprimido de Dorflex, nem com a cerveja, nem com os amigos, nem com nada, a dorzinha fina do meu peito só passa, quando vejo teu sorriso, nossas conversas e seu corpo branco estirado nú na cama. Só passa quando vejo algumas letrinhas jogadas no meu e-mail de manhã.

Não vai passar, eu não quero que passe, já tinha te dito que ia te amar até doer, e vai ser assim até o fim dos dias. Com você ou não. Eu sei que amor contido existe, com a minha mãe aconteceu, de repente comigo acontece também. Eu vou guardar isso aqui dentro, vou guardar os e-mails, as cartas e as fotos. As músicas, os cheiros, sua pele tá aqui guardada comigo. E eu não estou triste, eu só estou com saudades. Amo você, assim, dito baixinho no seu ouvido quando você resolveu vir conversar comigo naquele balcão. Beber minha cerveja e fumar meus cigarros. Vou esperar seu telefonema, fica comigo um dia, deixa eu te dar um filho, eu quero dividir meu corpo e meu amor com você. Só com você.

Boa semana meu menino.
::resmungos::

8.22.2006

Não existe mais o Memória Seletiva.
Ando despatriada, ando meio assim cachorro sem dono.
Me resta a velha casa, o meu quartinho que nunca foi adolescente, mas é o meu quartinho.
Eu ainda sou eu.
Consegui rir muito ontem. Cinco vivas pra mim!
Quando eu voltar mais uma vez aviso.
Saudades, pena que essa saudades não é felicidade abafada, é só a lembrança de uma vida que foi e não vai voltar.
::resmungos::