O que é?

Saudades da benzina. Minha menina. O filho pródigo a casa torna. sou eu mais uma vez. Até cansar de novo. Enquanto isso, cenas do próximo capítulo...

Os Outros


Pelo Buraco Negro
Clarah Averbuck
Carlos Jazzmo
Viciado Carioca
Alexandre Mentiras
Cinefilia
Poeta Sórdido
Quando Eu Tiver 64
Overmundo

Será que ainda vale alguma coisa?

9.28.2006

Keep going, don't stop, don't look back. johnnie walker


ela voltou. meu deus ela voltou. eu tentei me controlar mas ela me tomou mais uma vez, quanta dor, meu corpo se dobrou na cama, mas doia, saia sangue dos meus olhos, eu fervia e gritava. A loucura voltou.
Eu estava cambaleando, lá pelas tantas, copo quase vazio. Diria o quinto copo em pouco tempo. Muito pouco tempo. Até que ele veio e segurou meu braço:

-ei gatinha, vai aonde?

Olhei pra ele furiosa, e bradei o mais alto que pude:

-ME SOLTA!!!!!!!!!!!!!!!!! SAI DAQUI!!!!!!!!

Provavelmente foi o maior susto da vida inteira dele, ele me largou instantaneamente e eu pensei: vá em frente, não páre e nunca, nunca mesmo olhe pra trás. Jogando o copo por cima dos ombros, voltei pelas ruas escuras e molhadas pra casa. O copo se quebrou e ninguém entendeu. Nem eu. Eu não entendi nada. Mas a loucura voltou. Não por muito tempo é claro, mas ela me pegou de jeito.

E agora o que eu faço com essas unhas vermelhas aqui? Pensei em pegar a ascetona. Só continuei sentada. Pensei em pegar a tesoura e cortar meu cabelo. Só continuei sentada. Pensei em ligar para os amigos. Ainda assim continuei sentada. Pensei na Ana e como seria bom que ela estivesse aqui ainda, pra eu poder atravessar a rua, deitar no seu colo e ascender um cigarro. Ainda assim continuei sentada. Terminei de ler aquele maldito livro, e por isso eu senti que mesmo que quisesse nada eu poderia fazer mais. Continuar sentada era a única coisa que eu podia fazer. Nem uma lágrima, nem um movimento. Só aquela história do bandini e da Camilla rodeando minha cabeça. Fazia tempo que não ficava assim com o final de um livro. Ah doce Bandini, eu te entendo, como entendo....
::resmungos::

9.25.2006

Da adolescência tardia



Eu enfiei o dedo na goela. Nunca fui capaz disso, mas hoje depois de encher a cara de comida dei uma de bulêmica, ajoelhei em frente ao deus de louça coloquei dois dedos na goelae vômitei o sorvete e a sopa de abóbora e incrivelmente me senti bem.

Merda.

Nunca fui mulherzinha ligada a esse tipo de firulas, meu máximo de vaidade é pintar mensalmente a raiz branca do meu cabelo. Ponto.

Shit, shit, shit. 3 vezes shit. Não acredito que fiz isso e estou sendo capaz de pensar em fazer sempre, ou pelo menos de vez em quando.
A minha bulimia se resume às madrugadas de sábado, quando eu bêbada demais chego em casa e o teto gira rápido demais. Ia lá vômitava minha bebida e voltava pra cama. Bulimia boa essa que me livrava sempre da ressaca do dia seguinte.
Eu não me orgulho do que fiz hoje. Mas eu não tô bem. pelo menos, não estou bem com a comida, não estou bem com meu corpo cheio de curvas, e meus peitos que andam caindoe meu nariz que continua crescendo.

Tô na merda. Hoje não pelos amores perdidos, nem pela ressaca moral, mas por ser rasa e chegar aos vinte como a pior das adolescentes de quinze.

Quando tinha quinze, era segura de mim, muito mais que hoje. Lia o manifesto do partido comunista, era politicamente engajada e jurava que jamais sofreria por amor.

Eu era melhor, mais racional e mais feliz.

Essa é a pior conseqüencia em ser inconsequente.

Virei bulêmica. Só por hoje. amanhã eu volto ao meu normal.
::resmungos::

9.11.2006

Mais uma vez eu me vou.


Sabe, as coisas não podem assim simplesmente voltar e pronto. Convívio e carinho são coisas nossas, minha e desse blogue, mas é preciso melhorar. Sempre. Por isso mais uma pausa forçada. é tempo de arrumar as gavetas, ir ao cinema sozinha, pelar o cabelo o mais curto possível, pintar as unhas com o esmalte mais vermelho que existir. Pra voltar melhor, mais bonita e mais cheia de vida.

Estou com saudades, essas que doem e me tiram o sono, mas as coisas vão se acertar, pra melhor ou não. A vida segue, e hoje como mais uma segunda-feira de começo de nova vida eu paro mais uma vez. Mas o coração continua batendo, mesmo estando ele no pote de formol. Eu vou melhorar. Pode ter certeza, enquanto isso eu guardo minha tristeza e desilusão naquela gaveta que está pra ser arrumada.

Depois eu volto. Talvez e muito provavelmente não mais aqui. Enquanto isso procurem por mim aqui.
::resmungos::

9.6.2006

Vou sentir saudades





ah como vou. Mas espero que aquele "até logo" de ontem dure pouco, bem pouquinho. Queridas, mandem somente boas notícias. Espero vocês na volta, igualzinha a quando disse tchau. Espero pelas rizadas e pelas broncas, espero pela boa companhia de vocês. Muito bom saber que tenho vocês duas aqui no meu coraçãozinho torto, tudo fruto de muita admiração, e eu ando um clichê piegas ambulante. Mas é tudo verdade, até a volta.

Love.

::resmungos::

9.5.2006

Dos cinco discos que mudaram a minha vida



Do tempo que eu invadia o quarto dos meus irmãos mais velhos em busca de um tempo que era só meu. Ligando o somzão bem alto, hora dançando escondida, hora fuçando as coisas deles. Essa peregrinação sempre me rendia novas descobertas, sempre uma nova aventura, como quando eu descobri as camisinhas que eu não sabia pra quê serviam, ou achava as revistas pornográficas deles e me matava de rir, ou ainda quando encontrei um pacotão de maconha numa das gavetas, e sabia que sobre aquilo lá eu não podia falar nem pensar nada. Nada mesmo.


5. Skank- Calango
Era uma das poucas coisas nacionais que eles tinham em casa, eu adorava Jackie Tequila e Te Ver, cantava as músicas de cabo a rabo, e achava lindo Te Ver, pensava sempre num amigo do meu irmão, dez anos mais velho que eu por quem eu nutria o maior e mais quentinho amor de todo o mundo. Eram assim as tardes de Skank.

4.Chico Science e Nação Zumbi- CSNZ
Era o disco preferido do meu irmão mais velho. O kiko sempre ia a Recife e trazia de lá coisas próprias da cultura mangue beat, como um chapéu de palha que era a última moda no mangue. Eu adorava aquele chapéu, adorava o Chico e o sotaque arrastado dele, devo confessar que na época não entendia metade das coisas que ele falava, mas de alguma forma ficou tudo guardadinho aqui dentro, e a melhor de todas pra mim é A Cidade, me desculpem vocês mas pra mim Nação sem Chico perdeu a graça. Lembro até hoje o dia que o Chico morreu naquele acidente de caro, naquela curva, e do murro no vidro do banheiro que o meu irmão deu quando soube da notícia.

3. Ramones- Greatest Hits Live
Era época de gostar de róque, tinha porque tinha que usar calças folgadas e tênis velhos, mas quando eu falava o que eu andava escutando em casa as pessoas não me entendiam. Era a época que a gente passava os fins de semana na loja de CD do shopping center, fumando escondido e andando com a maquiagem mais pesada possível. Então eu virei punk, o que era engraçado porque a maioria dos meus amigos gostava mesmo de metal. Eu gostava de punk usava camisetinhas que eu mesmo fabricava com o maior número possível de alfinetes, ilhoses e cadarços. Era o máximo. Pintava os olhos de preto, e tinha escrito Ramones nos tênis. E escutava mesmo, era interessada, depois vieram Dead Kennedys e Cramps só pra garantir que eu não era poser. Eu encabeçava mesmo a estória.

2. Jamiroquai- Space Cowboy Single
Esse CD era um que sempre me chamava atenção, porque a capa era a mais ousada que eu podia imaginar na vida. Na frente um bek pra ser bolado, a trás o bek prontinho. Era ousadia demais, eu tinha que ouvir aquele som. Aí já viu né, Jay Kay é um animal multi instrumentalista, faz tudo sozinho e fica perfeito. Eu dançava horrores, e foi daí que o accid jazz produzido pelo colecionador de carros virou um dos meus sons preferidos até hoje.

1.New Order- The best of
Simplesmente eu me apaixonei. Não tinha por que. Eu não sabia nada da história dos caras, nem desconfiava da existência do Joy Division, eu queria música pra dançar. Eu tinha dez anos. E naquelas tardes de descobertas e fiz a maior e melhor descoberta do mundo todo. Aquele disquinho virou a maior das minhas paixões, e desde então passei poucos dias da minha vida sem dançar e vibrar com o som dos rapazes. De longe é a banda que eu mais gosto na vida, e só depois de velha pude entender tudo que eles diziam nas letras tristes que invariavelmente falavam de amor.

Muitas outras coisas vieram, mas esses discos foram a minha largada musical. Desses cds, todos continuam na minha pilha, menos o Skank que se perdeu no tempo, apesar d'eu achar o disco novo dos rapazes muito interessante, muito mesmo. Acho que vou providenciar. Nessa época de mp3 eu ainda gosto muito de cdzinhos empilhados no meu quarto. Mas isso fica pro próximo capítulo.

::resmungos::

9.4.2006



Tenho que parar com esses textos, sérios... serinhos demais, isso que dá beber vinho bom e argentino. Eu ando serinha, essa é a boa verdade. Eu sou um sorrisinho assim de lábios cerrados. Nada de mostrar os dentes ham!

Ando tranquila, respeitando meu corpinho que não nasceu para ser junkie, respeitando minha alma, só o coração que não anda obedecendo, mal-criado esse garoto, quase um dirty boy... Meu coração me prega peças capazes de assustar a mim mesma.

Logo, logo virá uma bomba, de proporções atômicas, abalar as estruturas do roqué dessa cidade. Depois falo mais. See yah!

::resmungos::

9.2.2006


Dos segredos da vida.



Sexta-feira, primeiro dia de setembro. Fim do mês do desgosto. Finalmente. Depois daquela noite de sexo feito dentro do armário, acordando com o telefonema dele, me enchendo de alegria. Alegria por ele Ter se lembrado minimamente de mim, apesar de não saber ao certo porque ele me ligava, se por pena ou se porque acordara pensando em mim. Continuei na cama por mais uma hora, pensando nele, pensando naquela noite que fora só nossa, apesar de Ter feito ele triste em certo momento. Pensando no nosso sexo perfeito, doce e visceral, dentro do armário, em pé, ou na nossa cama.


Aquelas asas de anjo que tinha dado a ele no último aniversário estavam cheias de pó, não havia mais o poster na porta do quarto, muito menos fotos recentes nossas naquele mural, outro presente de aniversário. Presentes que eu sonhava que fossem habitar nossa casa um dia, pensava eu, serem parte integrante do nosso amor embaladinho numa casa só nossa, com cds empilhados, fotos e cartazes pelas paredes, uma cama kingsike, e paredes pintadas. Quem sabe um dia não vai ser verdade.


Por enquanto nós continuamos assim, longe e perto. E em mais esse dia vagabundo, uma Sexta-feira vagabunda eu passei o dia sonhando com ele, sentindo o cheiro dele, lembrando dele perto e dentro de mim, pensando se de fato era isso que eu queria pro resto dos meus dias. Logo agora que eu tatuei ele nas minhas costas, sem meias palavras, nem meias verdades, a verdade dele esculpida em mim, Amo, logo existo. Sem pressão, muito menos cobrança, queria só eternizar ele no meu corpo, vai comigo pro caixão, e ponto.


Saudades, muitas. Essas saudades são de felicidade abafada sim, felicidade que eu sinto quando ele se aproxima e planta um sorriso no meu rosto, felicidade em ouvir as palavras doces dele, em ouvir o dia dele, em sentir os lábios de veludo dele, felicidades em tê-lo comigo naquela cama, entregue, os dois. Amo, logo existo. Sem amor nada vale a pena, e mesmo que sinta dor agora, existo unicamente por conta desse amor, o amor pelo homem que me ensinou a amar.


E assim os segredos da vida se revelam, numa noite vagabunda de Sexta-feira sem dinheiro nem ao menos pro maço de cigarros, eu e a família jantando e se embebedando de vinho bom e argentino. Todos sentados juntos, depois de mais uma semana de trabalho, enchendo mais uma taça, conversando sobre gente mal educada e tacanha, sobre como o mundo é feio lá fora. E eu me sentindo protegida aqui dentro dessa sala, escutando Charles Aznavour seguido de Jamiroquai e mais uma moça cantando um Jazz, isso sem contar a tarde inteira de Bandini lido ao som de Cat Power.


Eu lembrando das palavras dele ao me falar que queria só uma vida simples. Eu contemplando minha vida simples, e sabendo que a resposta para todos os problemas estavam aqui nessa sala, com meus tios, minha mãe e algumas taças de vinho. Eu podendo ser somente eu, sem mais milongas, sem precisar ser fake, eu com as coisas mais importantes da minha vida, uma nova tatuagem e copos de vinho. Uma vida simples, respeitando os limites do meu corpo, sentindo o que a minha alma precisava, sentindo que só é preciso amor para se viver. Amor vindo da família reunida numa noite de Sexta, amor escondido no peito pelo homem que me faz brilhar, e mais uma taça de vinho bom porque eu ainda sou de carne e osso.


A noite de Sexta seguiu simples e sem espasmos. Acabei em uma mesa de bar, com amigos queridos, conversas amenas. Tomei mais alguns goles de cerveja, sorri mais um pouco e cansada me despedi dos amigos indo pra casa sozinha, andando apressadamente pelas ruas vazias e escuras. E amanhã não haverá ressaca moral, nem dor de cabeça, nem sentimento de perda. Amanhã irá fazer um dia de sol, um dia feliz, mais um dia pra ser vivido com calma, sem pressa, assim simples, porque é preciso desacelerar e manter a estabilidade na curva, sentindo que o caminho é longo mas só vale a pena ser vivido da melhor forma, acreditando nas coisas sinceras e boas da vida. Sabendo que todas as verdades estão perto de nós, basta somente aceitá-las da melhor forma.


Amanhã eu vou acordar da melhor forma, com saudades de felicidade abafada de você. Porque pra mim é pra sempre. E eu não sou perfeita, mas pelo amor que você me ensinou enxergar nas coisas eu espero ser uma pessoa melhor. E depois de aprendidos, os segredos da vida são feitos pra serem guardados e lembrados nas horas em que nada parece Ter resposta. Obrigada mais uma vez meu menino.
::resmungos::